Rádio Tabajara

João Miguel encena monólogo ‘Bispo’ e ministra workshop na PB

29 de setembro de 2016

Depois de vitoriosa temporada em Salvador, a nova montagem do espetáculo teatral “BISPO”, com concepção do Coletivo Bispo, direção, dramaturgia, e atuação do ator João Miguel, chega em João Pessoa – PB, dias 08 e 09 de outubro (sábado e domingo), às 20h no Teatro Paulo Pontes. Nesta breve temporada em João Pessoa contamos o apoio da SECULT PB – Secretaria de Estado da Cultura da Paraíba e FUNESC.

Em João Pessoa o ator faz também um workshop gratuito de teatro no dia 06/10 (quinta-feira), na Usina Cultural Energisa; e um bate papo com o público no domingo, segundo dia de espetáculo.

Cena de 'Bispo', com João Miguel

Cena de ‘Bispo’, com João Miguel

A primeira montagem de “BISPO” estreou em Salvador, em 2001, fruto de uma profunda pesquisa de João Miguel por materiais a respeito da vida e da obra de Arthur Bispo do Rosário. Com sucesso de público e de crítica, João Miguel ganhou prêmios de melhor ator, diretor, cenário, espetáculo e ator revelação, em 2001 e a indicação ao Prêmio Shell de melhor ator em 2003. Durante a temporada, foi convidado para estrear no cinema no filme “Cinema, Aspirinas e Urubus”, com o qual ganhou muitos prêmios, inclusive no Festival de Cinema de Cannes. A partir daí, consolidou sua carreira, participando em mais de 20 filmes e séries.

Quinze anos depois, João Miguel remonta ‘Bispo’, reunindo um coletivo que traz nomes como da diretora Cristina Moura, do roteirista Edgard Navarro, do músico Pupillo e do cineasta Eryk Rocha; entre outros.

Retomar Bispo no nordeste tem um significado especial para João Miguel. “A ideia é fazer um movimento expansivo de temporadas, partindo do nordeste, que é uma região muito representativa na obra de Bispo, para depois alcançar outras regiões do Brasil. A relação com o Nordeste nesta temporada está calcada nas minhas origens como artista e nordestino, dialogando com as de Bispo. Voltar ao teatro e fazer o caminho inverso dos espetáculos teatrais foi escolha minha; o Nordeste é o espaço de resistência de grande produção criativa na história do país, de onde saíram grandes movimentos marcantes para a cultura brasileira, como o tropicalismo, o cinema novo, o mangue beat, grandes escritores, movimento de teatro baiano nos anos 60 e etc”, afirma o ator.

Dialogando com as vertentes modernas do teatro contemporâneo, o espetáculo propõe uma união de várias linguagens, como uma “sinfonia brasileira”, fundindo o cenário (artes plásticas), a luz, o texto, o som (músicas e sonoridades que remetem ao inconsciente de Bispo), que são misturados em cena com as palavras de Arthur Bispo do Rosário, na voz e no corpo do ator João Miguel.

Através de um mergulho coletivo, o espetáculo enfoca a lógica de criação de Bispo e a materialização da obra do artista numa dimensão profunda de reconhecimento, independente das catalogações a que ele foi submetido no decorrer de anos, como esquizofrênico e como artista plástico. Aqui, são abordadas questões atuais, como identidade e brasilidade.

O universo místico de Bispo, a sua relação com a obra, a visão da Virgem Maria, a paixão pela psicóloga Rosângela Maria, os delírios são abordados com ritmo, humor e a profundidade que este universo requer.

A intenção é dividir com o público esta “loucura lúcida” e abrir novas janelas sobre a potência genuína do homem brasileiro, aqui representado por Bispo, que se afirma através do próprio trabalho e provoca questões no espectador. O público é convidado a penetrar no universo de criação de Arthur Bispo do Rosário, através de um olhar particular sobre suas palavras, sua obra e  sua escrita. O espetáculo pretende transcender as catalogações de “regionalismo”, “loucura”, “artes plásticas”, sem deixar de incluí-las, mas abrindo novas janelas em um momento tão importante para o diálogo a respeito de identidade e cidadania.

 

João Miguel em cena do monólogo 'Bispo'

João Miguel em cena do monólogo ‘Bispo’

JOÃO MIGUEL

Com mais de trinta anos de carreira, já participou de inúmeros filmes, espetáculos teatrais, minisséries e novelas. Deu início à sua carreira de ator aos 9 anos, no programa de televisão Bombom Show, de Nonato Freire. Entre 1990 e 1996 João Miguel foi integrante do Grupo Piolim (João Pessoa), onde atuou como produtor do espetáculo Vau da Sarapalha, e iniciou as apresentações como Palhaço Magal. Ainda como Magal, apresentou-se no Circo Picolino e em hospitais públicos, favelas e ruas de Salvador e do interior da Bahia.

No teatro, João Miguel atuou em diversas montagens, entre elas, espetáculo “Só” (2009), direção: Alvise Camozzi; De 2001 até 2006 “Bispo”, com direção de Edgard Navarro; de 1997 a 1999, integrou o elenco da Novíssima Poesia Baiana, com grupo o Los Catedráticos, com direção de Paulo Dourado; “A Ver Estrelas” (1997), com direção de João Falcão; “Carne Fraca” (1997), com direção de Fernando Guerreiro; “Fala Comigo Doce como a Chuva” (1993), com direção de Paulo Henrique Alcântara; “ Viva o Cordão Encarnado” (1991), com direção de Luis Mendonça; “Barrela” (1989), com direção de Francisco Milani.

João Miguel já foi contemplado com mais de vinte prêmios, dentre os quais se destacam: o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) de melhor ator em cinema, que ele ganhou em 2015, com o filme ‘A hora e a vez de Augusto Matraga’; prêmio de melhor ator no Festival do Rio de 2005, 2007 e 2011, com os filmes Cinema, Aspirina e UrubusEstômago e A Hora e a Vez de Augusto Matraga.

Prêmio da Educação Nacional do Festival de Cannes, em 2005, para o filme Cinema, Aspirina e Urubus. Prêmio de melhor ator na Mostra Internacional de Cinema de 2005, com Cinema, Aspirina e Urubus. O júri da mostra, que normalmente não premia atores, criou esta categoria especialmente naquele ano para premia-lo. Prêmio de melhor ator no Festival de Guadalajara de 2005, com Cinema, Aspirina e Urubus. Prêmio de melhor ator no Festival de Valladolid em 2008, com o filme Estômago. Prêmio de melhor ator no Festival de Cinema Brasileiro em Paris em 2009, com Se nada mais der certo. Prêmio de melhor ator no Festival Internacional de Cinema Brasileiro em Miami em 2009com Se nada mais der certo.  Entre dezenas de outros prêmios pelo mundo. Ainda em 2016, João Miguel vai protagonizar a primeira série original brasileira do Netflix, chamada “3%”.

 

ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO

Trancafiado num quarto forte da Colônia Juliano Moreira, hospício do Rio de Janeiro, Arthur Bispo do Rosário criou ao longo de quase cinquenta anos um mundo próprio constituído de miniaturas, mantos, estandartes e uma infinidade de peças que brotaram de suas mãos e ganharam forma, dando um sentido à sucata recolhida pelos internos e funcionários do asilo psiquiátrico. Bispo trabalhava sem descanso. Desfiava os uniformes do hospício para fazer seus bordados atendendo a uma urgência compulsiva de criar grafismos de extrema originalidade. Certo de que se tratava de um desígnio da fé, Bispo atendia com zelo obsessivo às insinuações que para os médicos não passavam de delírio místico. Para ele, criar significava a própria salvação: suas obras seriam apresentadas ao Todo Poderoso no dia do Juízo Final.

Para os boletins psiquiátricos Bispo não passava de um esquizofrênico paranóico. Mas o certo é que aquele estranho mundo construído com sucata de hospício resultaria em mais de 800 obras que, depois da morte de seu autor, em 1989, vieram a ser catalogadas como obras de arte. Na última fase de sua estada no hospício Bispo foi visitado por pessoas sensíveis que, fascinadas por sua trajetória e pelo universo por ele criado, fizeram com que o fenômeno ultrapassasse as fronteiras do hospício, através de reportagens e vídeos, exposições e instalações.

A obra do artista plástico Arthur Bispo do Rosário tem hoje uma outra dimensão dentro e fora do universo das artes plásticas. Reconhecido nacional e internacionalmente, o artista e sua obra ocupam agora um espaço afirmativo.

 

COLETIVO BISPO

Após quinze anos da primeira montagem, João Miguel dá continuidade ao espetáculo que o projetou no teatro e no cinema. Em dezembro de 2015 o Coletivo Bispo apresentou o “Bispo em Processo”, no Espaço Cultural da Barroquinha (Salvador – BA), aberto ao público e com convidados para bate–papos ao final das sessões do espetáculo. O processo de criação coletiva continuou, apresentando uma obra em constante evolução.

O Coletivo Bispo apresenta nomes como do roteirista Edgard Navarro, que assina o texto do espetáculo; a colaboração da diretora Cristina Moura e da preparadora de atores Juliana Jardim; dos músicos André T e Pupillo, na trilha sonora; vídeos de Eryk Rocha; os figurinos de Adriana Hitomi e Rebeca Matta; o cenário de Zuarte Júnior; Iluminação de Luciano Reis; Confecção Roupa: Ró Amorim; Fotografias: Diney Araújo, Rebeca Matta e Zélia Uchôa;  Produção: Joana Damazio e João Miguel; Direção de Produção: Joana Damazio e Produção Executiva: Viviane Jacó.

O espetáculo conta ainda com o importante apoio do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro.

 

Ator João Miguel

Ator João Miguel

 

WORKSHOP GRATUITO DE TEATRO COM O ATOR JOÃO MIGUEL (João Pessoa – PB)

Workshop gratuito para atores e/ou estudantes de teatro, ou interessados em teatro, ministrado por João Miguel, com 3 horas de duração, composto por uma parte teórica (sobre o processo de criação do espetáculo) e uma demonstração prática do trabalho; com capacidade para 30 participantes (seleção feita através de carta de intenção).

“O workshop consiste no encontro entre o ator João Miguel e o grupo de participantes, onde a temática abordada será ‘ator-autor’ e serão realizados alguns exercícios práticos.”

Os interessados devem enviar uma breve biografia de suas ações diversas, ainda que se misturem com outras áreas de atuação, e uma breve carta de interesse pelo workshop até o dia 30/09/16 para o e-mailcoletivobispo@gmail.com. O resultado da seleção será no dia 04/10/16 por e-mail. Todos serão avisados, tanto os selecionados quanto os não selecionados.

 

 

“Bispo do Rosário foi, em seu tempo, um sobrevivente: da lobotomia – inventada em 1936; do eletrochoque – datado de 1938; dos castigos e da cela forte onde ele foi recolhido ‘a pão e água’, por longos períodos. Isto num contexto, o da década de 1930, marcado no Brasil pela ascensão do fascismo, em sua versão nacional, e pela intensa atuação da Liga Brasileira de Higiene Mental, que adotava uma política higienista, racista e xenófoba. Ele sobreviveu à psiquiatria que mutilava e que assumia o papel de depósito dos que incomodavam a ordem reinante. A implicação disto pode ser constatada nas palavras de Gustavo Riedel, em seu discurso no lançamento da pedra fundamental da Colônia Juliano Moreira, 19 anos antes da internação de nosso artista. Segundo ele, a Colônia se destinava ao recolhimento dos degenerados de toda a ordem: tarados, mendicantes ociosos, alucinados pelo delírio vermelho e fanáticos anarquistas e comunistas, doentes mentais, desordeiros, figuras anti-sociais, etc.”

Ricardo Aquino (“Arthur Bispo do Rosário”, pg. 59 – Rio de Janeiro: Réptil, 2012)

 

 

SERVIÇO

Espetáculo BISPO

SINOPSE: Espetáculo solo, livremente inspirado na vida, nas palavras e na obra de Arthur Bispo do Rosário.

Dias 08 e 9 de outubro em João Pessoa – PB

Local: Teatro Paulo Pontes

Rua Abdias Gomes de Almeida, 800 – Tambauzinho

Informações: (83) 3211-6214

Horário: 20h

Preços: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia)

Ingressos: Na bilheteria do teatro a partir das 16h

Capacidade: 400 lugares

Classificação: 12 anos

Duração: 75 minutos

Gênero: Teatro

E-mail: coletivobispo@gmail.com

 

SERVIÇO WORKSHOP GRATUITO DE TEATRO

Dia 06 de outubro, quinta-feira

De 18h às 21h

Local: Usina Cultural Energisa

Sala Vladimir Carvalho

  1. João Bernardo de Albuquerque, 243 – Tambiá, João Pessoa – PB

Capacidade: 30 participantes

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