Rádio Tabajara

Escritor Di Lorenzo Serpa dedica coluna a Ivan Bezerra

12 de Maio de 2018

Por pouco o futebol não o perdeu para a música, pois quando garoto ele teve uma iniciação musical muito intensa em sua cidade natal, a sua querida Itabaiana. Ele era clarinetista na banda de música de sua terra,chegando a estudar e a tocar na companhia do então desconhecido Sivuca.

Mas para a sorte do nosso futebol, Ivan Bezerra de Albuquerque, conseguiu um emprego arranjado por um tio e se transferiu para a capital paraibana, isso no início da década de 1950. Ao final do expediente, IvanBezerra, comparecia quase todos os dias ao tradicional “Ponto de Cem Reis” e lá participava das rodas de bate papo sobre futebol.

Logo, o seu conhecimento sobre o futebol e a sua facilidade de gravar as escalações dos times, chamou a atenção das pessoas que para ali convergiam. E não demorou a surgir uma oportunidade para ingressar na radiofonia, quando foi convidado em 1952 para participar da equipe esportiva da Rádio Arapuan – AM. Desse ano até os dias de hoje, o nosso comentarista campeão de audiência não parou de informar, comentar e esclarecer o torcedor paraibano… São mais de sessenta anos vivenciando o nosso futebol, sempre com profissionalismo, ética e coerência. Ele passou pela redação de todos os jornais da capital, foi atentamente ouvido em todas as rádios de João Pessoa, sendo uma testemunha ocular dos altos e baixos do nosso futebol; mas a função de comentarista teve início no ano de 1953, já integrando a Rádio Tabajara, em um jogo do Auto Esporte, de João Pessoa, contra o Náutico, do Recife, em que substituiu o radialista Virgílio Trindade.

Ivan Bezerra freqüentou e viu a demolição do antigo campo do Cabo Branco; acompanhou o surgimento e as várias reformas do Estádio Leonardo da Silveira, o campinho da Graça; presenciou a inauguração do EstádioOlímpico do Bói Só, e finalmente a construção do Almeidão, do Amigão e do Perpetrão, em João Pessoa, Campina Grande e Cajazeiras, respectivamente.

Viu time de futebol deixar de existir, outros surgirem, mudarem as suas cores, a sede. Presenciou goleadas arrasadoras, gols impossíveis, juízes parciais, craques que aqui nasceram e depois conquistaram o mundo.Viajou por todo o Brasil e por vários países, sempre comentando com objetividade e simplicidade.

Testemunhou o Rei Pelé marcar o seu 999º gol, em cima de seu conterrâneo Lula, e depois jogar de goleiro para evitar o seu histórico milésimo em nosso solo. Reencontrou o Rei, na Itália, em sua festa de cinqüenta anos. Também se comoveu com a prematura morte de Nininho, o “ fiapo de ouro”.

Colaborou por vários anos com o esporte amador, trabalhando como árbitro de futebol de salão em diversos campeonatos do estado. Não esqueceu as entidades de classe, integrando os quadros da API – Associação Paraibana de Imprensa, Sindicato dos Jornalistas, Sindicato dos Radialistas e como não poderia deixar de ser, da ACEP, Associação dos Cronistas Esportivos da Paraíba. Também deixou a sua contribuição, como técnico, de futebol, quando assumiu o comando do extinto time do União e do Santos de Tereré.

Dentre as várias homenagens em que o comentarista Ivan Bezerra de Albuquerque fez jus, cito a que ocorreu recentemente, quando do aniversário da Rádio Tabajara, que de uma forma bastante justa, nominou a suacabine esportiva no estádio Almeidão com o nome do decano da imprensa esportiva paraibana.

Para nós, cronistas, desportistas e torcedores, é com tristeza que a partir do próximo domingo não ouviremos mais o famoso ” meus amigos”, pois o campeão de audiência foi convocado para a seleção celestial. Descanse, campeão!

  •  Extraído do livro “Causos & Lendas do Nosso Futebol”.
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